Notícias

Home/Naty Fialho/A Linha Tênue entre a Arte e a Moda

A Linha Tênue entre a Arte e a Moda

Uma das semanas mais aguardadas do ano está chegando aqui em Paris: a apresentação da coleção feminina prêt-à-porter de Primavera/Verão 2019 começa agora, no dia 24 de Setembro. Vou contar tudo para vocês! Mas, enquanto os shows não começam, tem uma dica quente para quem estará na cidade da Luz durante esse período. Afinal, não só de desfiles vivem as Fashion Weeks.

É cada vez mais tênue a linha que divide arte e moda. Segundo os autores Gilles Lipovetsky e Jean Serroy em seu livro “A estetização   do   mundo”, estamos num novo ciclo marcado por uma relativa desdiferenciação das esferas econômicas e estéticas, pela desregulamentação das distinções entre a indústria e o estilo, o divertimento e o cultural, o comercial e o criativo, a cultura de massa e a alta cultura, a moda e a arte.

 

O museu encena o valor propriamente estético, universal e atemporal; ele transforma objetos práticos ou cultuais em objetos estéticos que devem ser admirados, contemplados por si mesmos, por sua beleza. Assim como em um desfile de moda, que utiliza os mesmos critérios ritualísticos; solenidades, certo clima sacral (silêncio, recolhimento, contemplação da obra na passarela).

Uma alternativa que une arte à moda é a exposição do artista Chinês, Song Dong, que se inicia esta semana.

Nascido em Pequim, em 1963, Song Dong começou a pintar aos 4 anos – explorou quadrinhos, mangás e pintura à óleo, porém passou anos sem tornar seu trabalho público. Se tornou designer de interiores, função na qual atuou por mais de duas décadas. Segundo o artista, “há tanto espírito criativo na arquitetura de interiores quanto na pintura”. Apaixonado por design e moda, Song Dong retomou seu trabalho publicamente alguns anos depois, através de performances, vídeos ou fotografia, e ficou conhecido por essa união entre marcas, estilistas e arte.

O conceito da recém exposta série ODI, apresentada em Paris, é inspirada no meio ambiente, que pretende transformar o deserto em um oásis. Song Dong explica aque “quando você amplia um pequeno elemento ao microscópio, percebe que o mundo é muito mais interessante do que pensávamos. Assim como quando você olha para uma paisagem à distância, o sentimento é diferente… A coisa mais importante na sua visão do mundo é que ela reflete sua alma, a imagem do seu coração”.

Em seu trabalho, a consciência ambiental é essencial. Vários trabalhos de Song Dong transmitiram como tema a impermanência da mudança, destacando o fato de que, para vivermos bem neste mundo, é necessário proteger a natureza. “Além disso, é uma fonte de inspiração para artistas. Sem isso, não há mais arte”.  A exposição organizada na Galerie Nesle apresentará 20 pinturas e 5 instalações combinando Arte e Moda, de 20 a 25 de setembro de 2018.

Invertendo o tema para desfiles, vale a pena ficar de olho em outro exemplo desta mescla; estilista-artista baseado em Paris, Jean-Charles de Castelbajac vem quebrando as regras por quase meio século: primeiro como designer de moda que vestiu Mick Jagger, Andy Warhol e até mesmo o papa Jean-Paul II – que contratou o estilista francês para vestir 5.000 padres e 500 bispos para sua visita em 1997 à França – e agora como artista. “Passei minha vida integrando arte à moda”, diz ele. “Já é hora de eu começar a incorporar a moda na minha arte.”

Castelbajac nasceu em 28 Novembro de 1949, em Casablanca no Marrocos e ficou conhecido por injetar temas lúdicos da infância e estilos de Pop Art em seu trabalho, refletido em suas colaborações com ícones de arte e música dos anos 1970 e fundindo o conceito da apresentação de moda com uma exposição de arte. O artista apresenta sua nova coleção aqui em Paris no dia 27 de Setembro.

Beijos e até semana que vem!

Naty