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A Partida de Laura Soveral

  1. “Somos todos visitantes deste tempo, deste lugar. Estamos só de passagem. O nosso objectivo é observar, crescer, amar…. depois vamos para casa.”
             (-Provérbio Aborígene)
A nossa doce Laura Soveral partiu no último dia 12 de Julho, com 85 anos, rumo ao Reino da Paz e da Luz.
Mas o espírito não morre, a Alma é eterna!
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Com “O Casarão” (1976) e “Duas Vidas” (1977), Laura Soveral foi a primeira grande actriz portuguesa a integrar os elencos das novelas da Rede Globo no Brasil.
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Não vou falar da extraordinária Actriz que a Laura era – considerada pelos seus pares e amada pelo seu público; prefiro falar do excepcional ser humano que era.
A última vez que estivémos juntos foi num jantar com mais dois queridos amigos nossos do coração, da parte que bate mais forte: o João D’ Ávila e a Maria José Paschoal. O que nos rimos, meu Deus…. estávamos todos tão felizes…. por comungarmos do mesmo sentimento – a AMIZADE. Sincera, Pura, Desinteressada, de coração aberto no peito.
Prometemos fazê-lo mais vezes amiúde, infelizmente a sempre malfadada corrida contra o tempo não o permitiu. E hoje já é demasiado tarde para nos lamentarmos…
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Hoje as lágrimas rolam-me, mas não de tristeza querida Laura, mas por ter tido a sorte e a felicidade imensa de a ter tido na minha vida durante muitos anos. A minha alma está hoje mais cinzenta e amarfanhada. Sei que gostava muito de mim, mas era recíproco. Não precisávamos falar para nos compreendermos. Os nossos olhos falavam por nós e entendiam-se. Não vou esquecer nunca a inocência do seu sorriso e o brilho dos seus olhos quando me contava histórias antigas de bastidores; nem tão pouco da doçura das suas mãos nas minhas.
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A Laura num acto de infinita generosidade, da sua humildade que lhe era tão peculiar e de puro altruísmo, há muito que tinha decidido doar o seu corpo à ciência. Era realmente muito especial e desde sempre uma mulher à frente do seu tempo.
Agora só podemos rezar por ela. Termos pensamentos de Paz, Luz e Amor, e por ela considerar que o espírito era eterno, todos termos a esperança que a Laura renasça em breve, para mais uma jornada luminosa. Finalmente chegou o eterno descanso que há muito já merecia.
As pessoas só morrem quando as esquecemos, por isso a Laura nunca morrerá, ficará para sempre no coração de quem tanto a amava.
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Desceu o pano. O espectáculo chegou ao fim. O teatro português está de luto.
Os actores não morrem, vão pisar outras tábuas, outros palcos… porque the show must go on.
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Sei que um dia ainda vou ter o seu abraço e o seu aconchego de novo, mas hoje fico decididamente uma pessoa mais pobre.
Até breve ou até sempre minha querida Laura.