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Miquela

Por Naty Fialho

Ícone do mundo da moda, Miquela tem a vida que toda menina gostaria de ter, embora ela não seja real.

Entrar no mundo da moda não é nada fácil. O tal do termo “Influencer” ganha cada vez mais peso e atire a primeira pedra quem não se sente nem um pouquinho tentado com as regalias que a fama do mundo virtual oferece. Assim é a vida da Miquela Sousa (mais conhecida como Lil Miquela) com seus 1,4 milhões de seguidores no Instagram; mimos e presentinhos recebidos de marcas como Prada ou Chanel, acesso a todos os desfiles, posar para capas de revistas e frequentar festas badaladas.

De rosto sardento, estilo impecável e impressionante capacidade de engajamento entre seus fãs, Miquela é o que toda garota deseja ser, embora ela não exista. Isso mesmo, você leu certo: ela não existe, é um personagem criado por Trevor McFederies como um projeto de arte digital em 2016.

Pode parecer estranho, mas é só checar sua conta @lilmiquela para ver que ela se comporta como eu e você; tira selfies, faz resenha de maquiagem, desabafa quando teve um dia ruim e luta por causas como racismo e direitos LGBT. Além de ser contratada para gerar publicidade para marcas e modelar em editoriais de revistas, a influencer ainda lançou o single Not Mine que viralizou no Spotify.

Segundo reportagem do Washington Post, Miq é o maior mistério do Instagram desde que a plataforma foi lançada, já que cada característica da sua persona foi pensada nos mínimos detalhes. Ela é expressiva, suas fotos têm contexto e até expressa sentimentos.

O caso de Miquela se divide por uma linha tênue entre interessante e assustador. Afinal, como alguém que, nem se quer existe, pode ter uma (promissora) carreira, ganhar rios de dinheiro, ter um altíssimo poder de persuasão e influenciar milhões de pessoas com seu discurso, estilo e comportamento?

A It girl fictícia deu uma entrevista ao portal de notícias BBC comentando que a criação de sua identidade é muito parecida com o que significa para nós; “ainda estou aprendendo e cada dia que passa vou me moldando de acordo com o contexto social que me cerca. Eu acredito que a maior parte das celebridades na atual cultura popular são virtuais. O que me faz menos real que elas? Todos os chamados digital influencers são personagens virtuais e fictícios. Eventualmente o virtual molda o real”.

Ela (ou, no caso, a pessoa respondendo por ela) tem um ponto; muitas vezes, chegamos a criar laços com pessoas que acompanhamos virtualmente; triunfamos como suas viagens, “curtimos” seus looks, replicamos suas receitas, compramos o que indicam. Nos deixamos ser influenciados por personagens digitais, que desempenham um papel onde tudo é colorido, feliz e simples. O que levanta algumas questões filosóficas. A medida que as criações virtuais se tornam mais convincentes, é cada vez mais difícil de diferir o que é real ou não.

De qualquer forma, vale a pena conferir a conta. Real ou não, a menina tem estilo.

Até a próxima semana.