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Museu Montmartre

Por Patricia Figueiredo

Viajar, escolher o destino por si só, trás sempre o conhecimento de um novo território.

É como se através das escolhas, do destino, nos tornássemos senhores dele. Acho que é por isso que viajar, na verdade, é tão mágico e desperta em nós esse sentido nato de desbravadores.

Todos os lugares, quando se tem o olhar novo e avido por conhecimento, tem suas particularidades, seu charme, novidades e sempre carrega um gama enorme de histórias envolvidas.

Estar inserida em espaços que, ao longo do tempo foram cenários de mudanças, é fascinante e nos faz cada vez mais cidadãos do mundo. Confesso que embora já tenha viajado muito (e ainda há muito a conhecer) de todos os lugares que já estive, Paris continua sendo a cada chegada um novo destino.

Paris é infinita. Em cada esquina, em cada pedra no caminho.

E nesse contexto entre idas e vindas, no meio de um flaner (caminhar sem rumo e sem pressa, só pelo prazer de apreciar o que está à sua volta, parando aqui e ali para observar algo que chamou sua atenção ou para tomar um sorvete sentado em um banco de praça), me deparei em Montmartre, numa tarde de outono ensolarada, na porta de um museu que, embora conhecesse por nome, nunca tinha tido tempo e prazer de visitar.

Sou apaixonada por arte e o impressionismo sempre me emocionou, emociona e o continuará fazendo através de Monet, Manet, Renoir, Degas, entre outros. Foi uma época em que a arte quebrou vários paradigmas e se deu o direito de ser livre. Liberdade em que o pincel foi coberto pela emoção do momento, de poder ser o que se sente.

O museu Montmartre encontra-se perto dos endereços icônicos do bairro, como o vinhedo, a Maison Rose e o antigo cabaré Lapin.

O museu é a reunião de várias casas, ateliês e jardins onde nos séculos passados moraram e trabalharam artistas de renome: Renoir, Maurice Utrillo, Suzanne Valadon, André Utter, Émile Bernard, Raoul Dufy… O acervo do museu ocupa uma destas casas – Maison du Bel Air – onde encontramos alguns quadros, pôsteres e desenhos de Toulouse Lautrec, Modigliani, Valadon, Utrillo, Kupka. Este acervo nos revela parte da antiga efervescência artística de Montmartre, da sua vida noturna com seus famosos cabarés e do aparecimento do French Cancan. Montmartre foi e ainda é, uma das áreas mais festivas da cidade. Passear por seus jardins e se deparar com cenas tão vividas em obras antes conhecidas é reviver a história.

Para completar o espírito campestre e romântico, o museu restaurou os Jardins de Renoir em memória ao pintor que aí viveu em 1875. Renoir, durante os anos em que morou neste endereço, pintou o Baile do Moinho La Galette e O Balanço do Jardim da rua Corot. Ambos, os jardins e o balanço, permanecem intactos com se estivessem a espera de um novo ângulo e pinceladas do mestre Renoir.

Interessante também é a visita do ateliê no local, onde trabalharam e moraram a pintora Suzanne Valadon e seu filho Utrillo. Valadon é famosa por ser uma das primeiras mulheres pintoras do impressionismo. Quanto à Utrillo, ele é um dos grande pintores de Montmartre e nos legou várias obras que retratam o bairro. O ateliê permanece também intacto. A luz, a vista da janela, os objetos de decoração e do cotidiano nos dão a sensação de que voltamos no tempo e nos faz mergulhar no espaço de inspiração e de trabalho dos artistas. Na próxima vez a Paris, se tiverem um tempinho de sobra, não deixem de ir nesse lugar em que o tempo literalmente parou para nós podermos apreciar a história do Impressionismo.

Musée de Montmartre, 12 RUE Corot, 75018, Paris. Museu aberto todos os dias, o ano todo, das 10h às 18h. Nos dias 25 de dezembro e 1 de janeiro o museu abre das 11.30h até 17.15h. Na primavera e verão aberto das 10h até 19h.

Até a próxima!